terça-feira, 21 de setembro de 2010

Com a Palavra...

O ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO
Por: Rubenita Pimentel
A prática abjeta do Assédio Moral no local de trabalho tem me levado a várias reflexões.

Experiências pessoais somadas a de terceiros, já foram objeto de discussão em diversas ocasiões. Inclusive em um seminário sobre Diretos Humanos, quando me posicionei acerca do assunto, apontei essa perniciosa conduta no serviço público, com um dos entraves para alicerçar a conduta dos agentes de defesa social no respeito aos direitos do cidadão, nas ações policiais, questionando: como viabilizar/estimular essa prática se todos os dias temos nossos direitos vilipendiados por superiores hierárquicos que não admitem nossa condição de sujeitos detentores de direitos?
Assediar Moralmente significa humilhar, afrontar, deixar o assediado em situação vexatória, oprimir, submeter, sujeitar (segundo o dicionário Aurélio). E essa violência já não ocorre apenas nos recônditos dos gabinetes, pois os algozes não se preocupam mais em dissimular e o ato, presenciado por muitos, torna-se a afirmação de seu poder, um simbolismo necessário para o alimento de seu caráter corrompido.
Assim, assistimos a banalização da dignidade e do respeito que preconiza nossa CF no que se refere aos direitos individuais. Sob o manto de justificativas absurdas, os superiores esquecem o real significado de “moralidade publica” e praticam seus atos de improbidade, com a justificativa de que o fazem movidos pelo principio da DISCRICIONARIEDADE ! Assim, podem transferir o servidor para onde entenderem que o sofrimento do assediado será maior (pois não importa a coisa publica!), indeferem pedidos de férias ou licenças, aplicam sanções, cerceiam direitos e o que mais estiver ao alcance para a satisfação de suas índoles perversas!
Com o tempo o servidor, detentor de prerrogativas, torna-se impotente e desprotegido, totalmente sujeito às ações prepotentes, sustentadas pela fragilidade dos Poderes constituídos segundo a conveniência e interesses particulares, tornando-se apenas em objeto da vontade de seres manipuladores e sádicos que se posicionam como superiores hierárquicos.
Diferente de outros Estados, no Pará ainda não há legislação especifica para coibir o ASSÉDIO MORAL, tratando-o como Transgressão disciplinar, apesar da prática diária entre os atores da relação laboral.
As imagens dos campos de concentração nazistas, em que homens se tornavam lobos ("Homo homini lupus" - o homem é o lobo do homem, segundo Hobbes), subjugando de forma desumana outros da mesma espécie, humilhando, torturando, destruindo a alma e corrompendo o espírito, muitas vezes são objeto de censura de tantos déspotas hipócritas que ocupam altos postos nas corporações e instituições.
Essa forma de canibalismo (o tirano se alimenta da força, dignidade, planos e inteligência de sua vítima), esse relacionamento desumano e desprezível, apresenta-se hoje com outra roupagem, com sofisticação e dissimulação no ambiente de trabalho, contando, os “poderosos” chefes, com a sutil ajuda de colegas do assediado que delatam, traem, mentem, dificultam a entrega de um trabalho e criam as situações mais embaraçosas para prejudicar e usufruir o que para eles, são consideradas “vantagens”.
A subserviência do subordinado passa a ser exigida como requisito fundamental para um cargo de confiança. Está acima do merecimento pela competência, pela capacidade de criar, produzir, planejar, tomar iniciativas e, assim, contribuir para que se alcance um nível melhor de atendimento ao cidadão e maior participação na construção de uma sociedade mais justa.
Eu respeito minha condição de policial, operadora do direito, professora, mãe, cidadã, assim, jamais poderia dispor de meus princípios morais em nome de um status quo doentio. E, enquanto puder, resistirei a essa draconiana e abominável relação superior-subordinado que somente pode ser causa de vergonha aos que ainda não foram destituídos de dignidade!
Felizmente esses “podres poderes” (como canta Caetano Veloso) no serviço público são passageiros. O opressor de hoje, amanhã poderá ser visto destituído de toda a empáfia que lhe acorrenta a alma e a solidão será sua única companheira.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

InspirArt

O Telefone
Por: Itamar Araujo Dantas
O dia amanheceu chuvoso, mas não era problema para nós porque não estávamos preocupados com que acontecia lá fora. Nosso pensamento, girando em torno do telefone, procurava fazê-lo tocar pondo fim a toda expectativa que nos envolvia. Porém, como que desafiando a nossa vontade e paciência, ele (o telefone) insistia em permanecer desligado de nós, não nos dando qualquer explicação para seu silêncio tedioso. Ele, neste momento, não lembra de que nós pagamos pela vida dele. Ingrato, dizíamos mudos. Cheguei mais perto dele, toquei em seu corpo, e ameacei espancá-lo se dentro de um minuto ele não largasse seu tedioso silêncio e me chamasse.

"Gostaria que você ficasse quieto". Essa era a frase preferida de minha mãe quando eu esperava, impacientemente, por um telefonema que custava a chegar. Mas, memo assim, não adiantava esta lembrança que sempre me confortava, porque se eu me acalmava os outros mostravam todo o nervosismo que imperava em nossa sala diante do, inescrupuloso, telefone que insistia em nos irritar.

Dessa forma não me contive, peguei o desgraçado e o forcei a falar. Que emoção me trouxe a sua voz, porque do outro lado soube que meu filho nascera. E lá fora fazia uma belíssima tarde chuvosa.

Publicada em VII Antologia de poetas e escritores do Brasil. 1992. Grupo Brasília de Comunicação.

domingo, 8 de agosto de 2010

Com a Palavra...

POLÍCIA JUDICIÁRIA (Problemas tópicos – Soluções implícitas)
Por: Líbero Penello de Carvalho Filho
A solução dos problemas policiais está vinculada à solução de grande parte dos problemas da segurança pública. Os meios legislativos existem: propostas de emenda constitucional, sem necessidade de nova constituinte originária.
Os meios corporativos também existem: concursos, qualificação de pessoal, valorização de Delegado como carreira jurídica, valorização do intelecto, estabelecimento de políticas publicas abrangentes e eficientes, maior mobilização da classe, não sujeição a pressões políticas e autonomia funcional são alguns caminhos a seguir.
Afinal, quem quer ser considerado operador do Direito, com os mesmos benefícios e salários do Ministério público ou do Judiciário, tem que possuir o mesmo preparo, conhecimento jurídico, vestir-se do mesmo modo, portar-se, falar, ter acesso a mesma qualidade de instalações e serviços, enfim, o mesmo grau de respeitabilidade.

Texto completo: Revista Jurídica Consulex, nº 322, junho 2010.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tá no Jornal


O esporte perdeu

Ao deixar de ser competitivo, o piloto de Fórmula 1 Felipe Massa abala a autoestima nacional e decepciona milhões de fãs, chocados com a ideia de que a gana pela disputa pode ser derrotada por um contrato milionário.
"O instrumento mais importante da vida coletiva é o exemplo" diz o sociólogo Murad. Os heróis, estejam eles nos campos esportivo, político ou cultural, são símbolos para as pessoas. "Quando dão mau exemplo, o povo vê destruídas suas referências coletivas. No outro extremo, podem mudar a história de uma nação, como fez Nelson Mandela na África do Sul".

Fonte: Revista IstoÉ, nº 2125 (Rodrigo Cardoso e João Loes). Texto completo pag. 78.
Opinião: O fato de cumprir ordem sem avaliar as suas consequências, são comuns em nosso dia-a-dia, e os prejuízos certamente atingirão a imagem como no caso de Felipe Massa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tá no Jornal

Menina de 11 anos é vítima de sequestro e estupro
Três crianças a mando dos pais sairam no final da manhã de sábado (17) para comprar açaí na rodovia Artur Bernardes em frente a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro do Telégrafo.
A menos de trinta metros da revenda as menores foram abordadas por um homem que pedalava uma bicicleta cargueira, pedindo que a maior delas, de 11 anos, fizesse um favor sendo que neste caso seria recompensada com a importância de R$ 10,00. Talvez na cabeça da menor passasse a oportunidade de ganhar um dinheiro com a ação, sem desconfiar que por trás da conversa fiada estivesse um estuprador.
Fonte: Texto completo no Jornal Diário do Pará (J.R. Avelar)
Opinião: crianças não devem fazer tarefas de adultos, realizar compras somente acompanhados de um adulto responsável. (Campanha "Onde está seu filho agora?")